
Foto de Manikandan Annamalai na Unsplash
E aí a gente acha que não precisa de algo mais da vida. A gente dá e leva tanta porrada e é colocada tantas vezes no cantinho do castigo, às vezes sem ter feito nada de errado, que fica programada para aceitar sempre o pior. E, às vezes, no cume da doença, acaba querendo o pior para si.
Pessoas seguras do que precisam não destroem a vida dos outros.
E o grande mal do mundo é este: a gente se destrói mutuamente. Até que a gente pense que merece ser destruído. Até que a gente queira ser destruído. Que é para que o mal se instaure logo de uma vez.
E aí a gente vai para o cantinho do castigo por merecer. Mas não é lá que a gente deveria estar.
Somos programados para essa luta sem propósito que é prejudicar alguém, prejudicar a si mesmo, fazer chuva de raios com energia negativa, transformar o planeta numa rocha de ódio e falta de amor ao próximo, que é alimentada pela falta de amor próprio.
Se eu não mereço algo melhor, então ninguém merece — a gente pensa.
Fica o desejo de que alguns feixes de luz celestiais entrem em nossos porões e coloquem os monstros para fora. Para que entre, junto com essa luz, a sensação de que merecemos algo mais da vida.
Para que a gente tenha certeza de que o melhor, o de mais valor (não monetário), o de mais valor (sim, monetário), o mais afetivo, o mais importante, o mais humano e o mais divino, e as coisas mais verdadeiras da vida, estejam aconchegadas em nosso merecimento.
“Considere-se afortunado, o Eterno não tem nada contra você e você não está escondendo nada dele.” Salmos 32:1, na tradução “A Mensagem”.
Texto publicado originalmente em 4 de setembro de 2018, em um cenário político semelhante ao que vivemos hoje.
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